Ética e Responsabilidade Social
04/05/2010 13:46Felipe Rodrigues Azambuja (FACAV) feliperodriguesazambuja@hotmail.com
Maraiza Rodrigues de Lima (FACAV) mararodrigueslima@hotmail.com
Dalila Almeida Freitas (FACAV) dalilaaf@hotmail.com
Lucas Rodrigues Freitas (FACAV)
RESUMO
O mundo contemporâneo é marcado por mudanças constantes e velozes. Como consequências, aponta-se o aumento da complexidade do ambiente e o baixo grau de previsibilidade das relações intra e inter-organizacionais. Assim as empresas têm procurado dar respostas aos seus proprietários e clientes, e também a outros públicos importantes: empregados, concorrentes, fornecedores, meio-ambiente, minorias marginalizadas, a sociedade como um todo. As organizações vêm se conscientizando de que suas atividades produtivas sofrem e geram impactos variados, sendo necessário, portanto, rever relações com os diversos atores sociais. É preciso refletir sobre o papel social de cada um. O ser humano precisa construir o seu novo ser. Atualmente, temos um grande desafio na vida: construir o nosso ser com espírito ético, fraternal e voltado para o resgate de uma segurança social. É crescente o movimento pela ética e responsabilidade social das empresas, multiplicam-se os eventos nacionais e internacionais com o objetivo de discutir conceitos, práticas e indicadores que possam definir uma empresa como empresa cidadã. O objetivo deste artigo é analisar o conceito de ética e sua abrangência na administração, apresentar uma escala para a classificação do comportamento ético e afrontar duas filosofias sobre a responsabilidade social das empresas.
Palavras-chave: Ética; Responsabilidade Social; Virtude.
ABSTRACT
The contemporary world is marked by constant change and fast. As consequences, points to the increased complexity of the environment and the low degree of predictability of intra-and inter-organizational. So companies have sought to respond to their owners and customers, as well as other important public-employees, competitors, suppliers, environment, minorities marginalized, society as a whole. Organizations are becoming aware that their suffering and productive activities generate varying impacts, and therefore need to review relations with the various social actors. We must reflect on the social role of each one. The human need to build your new self. Currently, we have a big challenge in life: to build our spirit to be ethical, fraternal and returned to the rescue of a social security. A growing movement for ethics and corporate social responsibility, multiply the national and international events in order to discuss concepts, practices and indicators that can define a company as a corporate citizen. The aim of this paper is to analyze the concept of ethics and its scope in the administration to present a scale for the classification of ethical behavior and confront two philosophies on corporate social responsibility.
Keywords: Ethics; Social Responsibility; Virtue.
1- INTRODUÇÃO
A responsabilidade social das organizações e o comportamento ético dos administradores estão entre as tendências mais importantes que influenciam a teoria e a prática da administração. No entanto, a ética e a responsabilidade social não são assuntos recentes.
Outra questão que continua provocando discussões é o papel das empresas na sociedade. Alguns estudiosos do assunto acham que as empresas têm responsabilidades com a sociedade e devem cumpri-las. Outros pensam que única responsabilidade das organizações empresariais é cuidar de seus acionistas. A polêmica esta longe do consenso.
Nos últimos anos, o debate sobre a ética foi ampliado com a inclusão dos temas relativos à relação das organizações e da própria sociedade com o ambiente físico.
2- ÉTICA: DE QUE SE TRATA
Segundo Maximiano (2004), a ética é a disciplina que trata da definição do comportamento de pessoas e organizações. A ética lida com a aprovação ou reprovação do comportamento. O comportamento ideal é definido por meio de um código de conduta, ou código de ética.
A palavra ética significa hábitos e costumes. O que a sociedade se acostumou a aceitar como habitual não é, necessariamente, ético.
3- CRIAÇÃO DE SISTEMAS DE VALORES
Os valores que orientam o comportamento ético foram e continuam sendo propostos por filósofos e líderes como: Confúcio, Buda, Moisés, Jesus Cristo, Sócrates, Platão e Aristóteles.
3.1- CONFÚCIO
A maneira oriental de administrar e fazer negócios são certamente influenciados pela doutrina de Confúcio (551-479 a.C.). Ele desenvolveu um conceito de renascimento moral e social.
O princípio mais elevado do Confucionismo é a norma da reciprocidade, tratar os outros como cada um gostaria de ser tratado.
Para Confúcio (551-479 a.C.), a conduta virtuosa em relação a si próprio consiste em desenvolver habilidades, adquirir educação, trabalhar duro, não gastar mais que o necessário e cultivar a paciência e a perseverança. Ser moderado sempre.
3.2- ARISTÓTELES
Segundo Aristóteles (384-322 a.C.), a ética é definida em termos dos “fins do ser humano”. Os fins das pessoas é a felicidade, a razão e a virtude são os meios para alcançar a felicidade.
As virtudes podem e deem ser ensinadas, há duas formas de excelência: a intelectual, que é a inteligência e o discernimento, e a excelência moral, que é a liberdade, moderação, ações e emoções.
A virtude é: coragem, temperança (moderação), senso de justiça, senso de humor, veracidade, cordialidade.
3.3- KANT
Para Kant (sec. XVIII), comportamento ideal para a vida em sociedade é:
- Uma ação é moralmente correta se a razão dessa pessoa para tal ação é a razão que essa pessoa desejaria que outras tivessem ao agir.
- Não usa outras pessoas como meios para avançar em seus próprios interesses.
4- EVOLUÇÃO DA ÉTICA
A ideia de que os códigos de conduta evoluem e, portanto, há códigos mais evoluídos e mais atrasados, faz parte do conceito de ética. Durante muito tempo, na Europa e em outros lugares, os condenados foram torturados e executados em praça pública, em espetáculos a que a multidão assistia como divertimentos. Na atualidade, os descendentes de pessoas que estavam nessas mesmas multidões não hesitariam em condenar essa prática.
Conceitos como civilização, virtude coletiva, igualdade, respeito à pessoa e direitos humanos estão intimamente ligados à mudança evolutiva dos costumes.
5- ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO MORAL
As organizações, por meio de seus administradores, fazem opções de valores éticos, permitindo situá-las numa escala de valores. Uma das escalas disponíveis propõe três níveis ou estágios de valores, chamados estágios de desenvolvimento moral: pré-convencional, convencional, e pós-convencional (Tabela 1).
TABELA 1 – Estágios de desenvolvimento moral
ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO |
COMPORTAMENTOS |
Pré-convencional |
- Ética individualista ou egoísta. - “O negócio é levar vantagem em tudo”. |
Convencional |
- Ética orientada pela necessidade parecer bem na comunidade. - Devo comportar-me direito para ser aceito. |
Pós-convencional |
- Ética orientada pelo idealismo moral. - Princípios e convicções independentes do receio de punições ou desejo de recompensas. |
Fonte: Maximiano. (2004, p. 404)
6- RESPONSABILIDADE SOCIAL
Muito da discussão sobre a ética na administração tem sua origem na opinião de que as organizações têm responsabilidades sociais – elas têm a obrigação de agir no melhor interesse da sociedade. Portanto, segundo Maximiano (2004), as organizações devem pautar sua ação pelo principio do estágio pó-convencional de desenvolvimento moral.
Não há discussões sobre o fato de que as organizações, assim como os indivíduos, têm responsabilidades sociais, à medida que seu comportamento afeta outras pessoas e, querendo elas ou não, há pessoas e grupos dispostos a cobrar essas responsabilidades por meio do ativismo político, da imprensa, da legislação e da atuação nos parlamentos. Porém, há duas courinas a esse respeito, cada uma delas com argumentos muitos fortes (Tabela 2).
TABELA 2 – Duas doutrinas sobre a responsabilidade social das empresas
DOUTRINA DA RESPONSABILIDADE SOCIAL |
DOUTRINA DO INTERESSE DO ACIONISTA |
- As organizações são instituições que usam recursos da sociedade. - portanto, têm responsabilidades com a sociedade. - O papel da empresa é aumentar a riqueza da sociedade. |
- As organizações são responsáveis perante seus acionistas apenas. - O objetivo é maximizar o lucro do acionista. - A responsabilidade pelos problemas da sociedade é do governo e dos cidadãos. |
Fonte: Maximiano. (2004, p. 407)
7- CONCLUSÃO
Como foi visto a ética vem sendo discutida e utilizada desde a antiguidade, com base em um sistema de valores, cujo qual veio sofrendo mudanças, principalmente no mundo atual onde estas questões estão sendo mais valorizadas pela sociedade e pelas empresas.
No âmbito empresarial a ética está sendo considerada não apenas como meio de sobrevivência, mas sim, como instrumento de expansão dos negócios. Mesmo porque a ética empresarial surgiu como meio de recuperar a confiança na empresa, tanto dos funcionários, quanto dos clientes, para isto se utilizam do chamado “Código de Ética Empresarial”, que visa melhorar a imagem e o desempenho das empresas perante a sociedade.
No entanto, nada adianta uma empresa aparentar ser eticamente correta, dentro deste contexto, se ela não assumir uma política de responsabilidade social e ambiental. A partir de planejamento e execução de ações socialmente responsáveis, que consolidem projetos relacionados ao meio ambiente, à melhoria do ambiente de trabalho, entre outros, um novo posicionamento empresarial e novas relações, fundamentadas numa atuação ética, deverão ser estabelecidas com funcionários, consumidores, comunidade, enfim com a sociedade de um modo geral. Percebe-se, desta forma, que os profissionais de comunicação passam a desenvolver junto às organizações uma postura social e ética mais voltada à qualidade de vida da sociedade.
Se tivéssemos que terminar com algumas sugestões em termos de ética e responsabilidade social das empresas, eis o que falaríamos:
· Vamos valorizar mais as pessoas do que as coisas. Vamos procurar dar trabalho ao maior número possível de pessoas. Talvez não estejamos produzindo diretamente mais riquezas, mas estaremos certamente conferindo mais dignidade a um número maior de famílias.
· Vamos também valorizar as pessoas, dando a cada uma a possibilidade de participar efetivamente da empresa, não só, demagogicamente, através de uma parcela de seu resultado econômico, mas principalmente através da participação na construção de seus resultados (Balanço Social).
· Vamos valorizar a pequena empresa, aquela em que o relacionamento humano ainda prevalece e as pessoas não se transformam em peças de engrenagens.
· Vamos valorizar a obra de nossas próprias mãos, o nosso próprio trabalho, fazendo-o simplesmente bem feito, deixando para lá o “quebra-galho” e o “mais ou menos”.
· Vamos valorizar nossas escolas e universidades, nossos meios de comunicação social, nossas famílias, fazendo deles muito mais do que focos de preocupação econômica, mas locais de transmissão de valores éticos que tanto abandonamos nestas últimas décadas.
· Vamos valorizar o futuro, as gerações de nossos filhos e netos, que têm o direito de esperar que nossa avidez, nossa ganância e nossa sede de lucro imediato não inviabilizem o mundo que lhes deixarmos.
8- REFERÊNCIAS
Maximiano, Antonio Cesar Amaru. Introdução à Administração – 6. ed. rev. e ampl. – São Paulo: Atlas, 2004.
Administradores - O Portal da Administração. Disponível em <https://www.administradores.com.br/artigos/etica_empresarial_e_a_responsabilidade_social_e_ambiental/23198/> Acesso em: 01 dez. 2009.
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